sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Due
Hoje deixei que você me encontrasse. Sabia que você precisava falar como alguém que não lhe perguntasse o que aconteceu. Apenas te deixei falar. E enquanto te ouvia pensava no dia em que te vi pela primeira vez. A sensação era de ter chegado em casa depois de andar por um território inóspito. Não havia estranhamento, era tudo tão incrivelmente comum sem ser velho.
Porém, por mais comum e igual que seja a casa, quando se chega nela depois de uma jornada difícil ela tem algo de surpreendente, é o novo que não assusta, mas acolhe e conforta. Você naquele momento foi isso pra mim, surpreendentemente novo e comumente aconchegante. A alma mais limpa e colorida que eu já vi. Difícil foi não me apegar.
É incrível mas eu vi em seus olhos algo de muito triste tentando escapar, embora você fizesse um esforço imenso pra manter em secreto a sua dor. Durante os dias em que me encontrei sozinha em casa costumei me demorar olhando suas fotos, a angústia só aumentava quando fitava seus olhos no retrato, havia algo, mas o quê?
A falta de respostas adicionada a enorme saudade de alguém que eu mal acabara de conhecer me tornava vulnerável às lágrimas que venciam meu esforço de não chorar. Nunca senti nada igual, estavam reunidas em mim duas saudades se degladiando, a do velho amigo perdido na morte e a do amigo novo de nome igual cheio de vida.
Walméria Dantas ♥
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